Um idoso de 86 anos foi vítima de agressões dentro da própria casa em Goiânia, em um caso que está sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás. De acordo com as autoridades, o homem, que é acamado e diagnosticado com Alzheimer, teria sido torturado pelo cuidador responsável por sua assistência diária.
Segundo o delegado Alexandre Bruno Barros, as agressões podem ter ocorrido por pelo menos três meses. A suspeita surgiu após a família notar lesões no corpo do idoso e decidir revisar as gravações das câmeras de segurança instaladas no quarto da vítima.
As imagens mostram o cuidador realizando movimentos bruscos com o paciente e, em alguns momentos, agredindo o idoso durante os cuidados diários. A polícia afirma possuir outras gravações que indicam episódios semelhantes, mas os familiares optaram por não divulgar o material.
O cuidador trabalhava na residência desde junho do ano passado e tinha conhecimento da existência do sistema de monitoramento no local. Apesar disso, segundo o filho do idoso, Leonardo Vasconcelos, o profissional negou as agressões mesmo após ser confrontado com as imagens, alegando que os procedimentos seriam normais.
Para a Polícia Civil, os indícios apontam para o crime de tortura, e não apenas maus-tratos. O delegado explica que a repetição das agressões, a relação de dependência da vítima e o nível de crueldade observado nas imagens são fatores que caracterizam esse tipo de crime.
O idoso está em estágio avançado da doença, não consegue se locomover e necessita de cuidados constantes. A investigação também busca identificar se o cuidador já prestou serviços para outras famílias e se existem denúncias semelhantes.
O Conselho Regional de Enfermagem de Goiás informou que abriu uma apuração interna para analisar o caso. A entidade também solicitou informações à delegacia responsável para avaliar possíveis medidas administrativas e éticas.
Em nota, a defesa do cuidador, representada pela advogada Lauany Deborah Rodrigues, afirmou estar preocupada com o pedido de prisão preventiva e com a condução inicial das investigações. Segundo a defesa, é fundamental garantir os direitos constitucionais do investigado, incluindo o princípio da presunção de inocência, e assegurar que o processo ocorra sem influência de pressões externas.
Enquanto a investigação continua, a polícia segue analisando todas as imagens gravadas na residência para determinar desde quando as agressões teriam começado.



