A professora Lucieni Naves Correia, 51 anos, morta a tiros pelo ex-marido Paulo Neves Bispo, de 61 anos, tinha medidas protetivas de urgência vigentes porque temia ser morta por ele. Ela foi assassinada na manhã da segunda-feira (16), dentro da própria casa, no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá. O crime ocorreu por volta das 7h15, na Rua 14, e foi registrado como feminicídio.
Após matar a ex-esposa, Paulo fugiu do local. Durante a fuga, ele se deparou com um policial militar à paisana, que efetuou disparos para contê-lo. Paulo foi baleado, caiu no chão e morreu no local.
As filhas de Lucieni afirmaram que a mãe chegou a acionar o botão do pânico mais de uma vez e que a família confiava que o sistema de proteção funcionaria, mas que, na prática, a Justiça falhou em proteger a mãe.
“O que eu tenho pra falar é que a Justiça falhou. Eu confiei, nós confiamos. O botão do pânico foi acionado duas vezes. Eu estava junto com ela, meu marido estava no momento. O policial veio e não fizeram nada. O policial apenas conversou com a minha mãe na calçada e não fizeram nada”, disse a filha de Lucieni, Emilly Naves Correia Gonçalves, em entrevista ao MT1, da TV Centro América.
Segundo Emilly, as ameaças eram constantes e sempre comunicadas às autoridades. Ela contou ainda que, no dia do crime, Paulo teria desligado o padrão de energia da casa da vítima.
“As mensagens e as ameaças que ele vinha fazendo todas foram passadas impune. Minha mãe gritou socorro, não foi só pra gente, foi pra todo mundo”, disse.
Além das críticas à atuação da Justiça e das forças de segurança, a filha também acusou parentes do agressor de terem conhecimento da situação de violência enfrentada por Lucieni e de terem se omitido, mesmo cientes das ameaças feitas.
O outro lado
A Secretaria de Estado de Segurança Pública informou, por meio de nota, que a vítima possuía medidas protetivas vigentes. No entanto, segundo a pasta, no dia do crime não houve acionamento das forças de segurança por meio do botão do pânico, da Patrulha Maria da Penha ou do Ciosp, via 190.
De acordo com a Sesp, a Patrulha Maria da Penha foi acionada por terceiros apenas após o feminicídio. A secretaria explicou ainda que, em agosto de 2025, Lucieni registrou boletim de ocorrência contra o ex-marido no Plantão de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica e Familiar, quando foram solicitadas as medidas protetivas.
Em outubro do mesmo ano, após novas ameaças, a vítima acionou o botão do pânico, e policiais militares estiveram no local. Na ocasião, os agentes orientaram Lucieni a procurar a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher para registrar novo boletim de ocorrência por descumprimento das medidas protetivas.
Com o novo registro, a Polícia Civil comunicou o caso ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que decidiu advertir o ex-marido, sem determinar acompanhamento da Patrulha Maria da Penha, mantendo vigente apenas o botão do pânico.
DO REPÓRTERMT



