Um evento caro, superficial e simbólico do descaso em Guajará-Mirim: assim pode ser definida a festa de aniversário do município, realizada neste último final de semana.
A cidade completou 97 anos, mas o que se viu não foi um momento de reflexão ou compromisso com o futuro, foi uma celebração desconectada da dura realidade local, marcada por um histórico de problemas administrativos que, ao longo dos anos, contribuíram para a deterioração de um município que já foi símbolo de potencial na região.

Como registrou Rondoniaovivo, a Prefeitura de Guajará-Mirim (RO) contratou Juliana Bonde, Bonde do Forró, Bonde do Arrocha e DJ Maluco para as comemorações do 97º aniversário do município. O custo total do evento artístico é de R$ 450 mil, valor quitado de forma híbrida pelos cofres públicos – com contribuição de uma emenda parlamentar do deputado estadual Alan Queiroz.
A festa foi alvo de críticas nas redes sociais, com internautas questionando as prioridades administrativas de um município com uma população de 39.386 pessoas, segundo o Censo de 2022, e com índice de desenvolvimento humano de 0,657, medido pelo IBGE em 2010.
Enquanto a população enfrenta diariamente o abandono, a precariedade e a falta do básico para viver com dignidade, o fim de semana foi tomado por um espetáculo que escancara o abismo entre a realidade do povo e a atuação de quem deveria representá-lo.
Comandada por Fábio Garcia de Oliveira, a gestão municipal foi a anfitriã da folia bancada com dinheiro público — um escárnio diante de uma estrutura administrativa pesada e cercada por polêmicas, inclusive no âmbito da Câmara de Vereadores.
A apresentação da cantora Juliana Bonde e do grupo Bonde do Forró foi orçada em aproximadamente R$ 500 mil, valor custeado por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Alan Queiroz.
O show, marcado por playback, coreografias ensaiadas e pouca ou nenhuma conexão com a cultura ou os problemas da região, virou ainda mais polêmico quando a artista publicou um vídeo ao lado do parlamentar em tom de deboche contra quem criticou o uso de dinheiro público.
Mesmo assim, marcaram presença figuras políticas como Marcos Rogério, Fernando Máximo, Coronel Chrisóstomo, Lúcio Moschini e Jaime Bagattoli, todos sorridentes, aplaudindo, posando para fotos e celebrando como se o município não enfrentasse uma crise estrutural histórica.
O contraste é revoltante. Em vez de investimentos estruturais, soluções concretas e políticas públicas eficazes, optou-se pelo espetáculo — um evento que dura poucas horas, enquanto os problemas da cidade seguem se arrastando por anos, sem solução à vista.
Rondoniaovivo.com




