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Caminhada da Esperança em Ji-Paraná marca virada política e chama à união pelo futuro de Rondônia

Sob o sol forte da manhã de sábado, a Chácara da Eucatur se transformou em um espaço de reencontro político e reafirmação de propósitos. O ato regional da Caminhada da Esperança reuniu cerca de 1.100 pessoas e foi marcado por discursos emocionados, pela defesa da união entre os nove partidos do campo progressista e por uma mensagem clara: é hora de Rondônia retomar o caminho do crescimento, da justiça social e da esperança.

Participaram do encontro o senador Confúcio Moura (MDB), o ex-senador Acir Gurgacz (PDT), a deputada estadual Cláudia de Jesus (PT) e o ex-prefeito de Porto Velho e coordenador do movimento, Roberto Sobrinho, além de lideranças partidárias e representantes de movimentos sociais e sindicais da região central do estado.

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Acir Gurgacz: “A economia de Rondônia está travada — e a mudança passa pela política”

O ex-senador Acir Gurgacz abriu seu discurso com um tom reflexivo, destacando que Rondônia vive um momento delicado: após três décadas de crescimento contínuo, o estado registrou queda populacional nos últimos anos. “Alguma coisa não está certa”, afirmou. Para ele, a explicação está na falta de políticas públicas capazes de atrair investimentos e gerar desenvolvimento.

Acir reforçou que a solução passa pela política e pela boa representação nas esferas de poder. Criticou a ausência do governador na recepção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Porto Velho, contrastando com a atitude de governadores de outros estados que, mesmo divergindo ideologicamente, demonstraram respeito institucional.

O ex-senador lembrou que a visita de Lula resultou em mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos federais e destacou a prioridade dada à duplicação da BR-364, tema tratado diretamente com o ministro dos Transportes, Renan Filho. Segundo Acir, o ministro se comprometeu a destinar R$ 2 para cada R$ 1 colocado pela bancada federal, numa parceria que simboliza o esforço conjunto por uma Rondônia mais integrada e produtiva.

Em tom otimista, Acir evocou o período em que Confúcio Moura era governador e o estado crescia impulsionado por programas de crédito popular, como o Banco do Povo, que transformou associações em pequenas indústrias. “Precisamos retomar isso”, disse. Ao final, anunciou que está plenamente elegível e prometeu voltar à estrada: “Vou botar a botina pra funcionar e percorrer o estado de ponta a ponta.”

Cláudia de Jesus: “As mulheres têm lugar e voz na reconstrução de Rondônia”

A deputada estadual Cláudia de Jesus foi uma das mais aplaudidas da manhã. Única mulher na Assembleia Legislativa, ela reforçou a importância da presença feminina na política e destacou que a luta por igualdade não é apenas de gênero, mas de toda a sociedade.

“As mulheres não estão na política apenas para ocupar espaços, mas para transformar a vida das pessoas. Rondônia precisa de mais políticas públicas, de mais cuidado com quem mais precisa e de mais mulheres participando das decisões”, afirmou.

Cláudia também lembrou seu trabalho em defesa da agricultura familiar e da regularização fundiária, ressaltando que a política deve ser instrumento de inclusão e dignidade. “Enquanto muitos falam em discursos vazios, nós estamos garantindo que as famílias tenham o direito à terra, à produção e à dignidade”, completou.

A parlamentar encerrou com uma mensagem de esperança e resistência: “Nós, mulheres, sabemos o que é reconstruir todos os dias. E é isso que vamos fazer por Rondônia: reconstruir, com coragem, justiça e esperança.”

Confúcio Moura: “Chegou a hora da reação — Rondônia não pode ter medo”

Em um discurso de memória e coragem, o senador Confúcio Moura comparou o momento atual à década de 1980, quando, após sucessivas derrotas, o então MDB reagiu e chegou ao governo de Rondônia. “A história está se repetindo”, afirmou. “Perdemos em quase todos os municípios, mas como naquela época, é hora de virar o jogo.”

Confúcio falou sobre o avanço do radicalismo político no estado, lembrando que, em determinado momento, ele e outros líderes não podiam sequer viajar para Rondônia por risco de vida. “Mudaram o chip da cabeça do nosso povo”, lamentou.

O senador defendeu que o momento é de reação com coragem e serenidade, e de reconhecimento aos investimentos federais que continuam chegando ao estado. “Quem está trazendo os benefícios para Rondônia é o presidente Lula”, afirmou.

Fiel à sua pauta ambiental, defendeu o uso produtivo de áreas já desmatadas e a preservação da floresta. “Eu apanho nas redes sociais por defender a floresta em pé, mas é assim que garantimos o amanhã.”

Encerrando, fez um apelo à unidade entre os nove partidos progressistas: “Nós precisamos dar o grito da reação. Rondônia é nossa — construída com o trabalho e o suor de quem acredita neste chão.”

Roberto : “A esperança voltou a caminhar”

O ex-prefeito Roberto Sobrinho, coordenador da Caminhada da Esperança, encerrou o evento ressaltando a força do movimento e sua expansão pelo estadoSobrinho. Ele lembrou que o movimento nasceu em Brasília, de um encontro entre lideranças progressistas e ministros do governo federal, e hoje ganha corpo nas regiões de Rondônia.

“Nos diziam que o campo progressista havia sido varrido de Rondônia. Hoje mostramos que não. Em Porto Velho reunimos 600 pessoas, em Ariquemes 400, e aqui em Ji-Paraná somos mais de mil. Isso é prova de vitalidade e coragem”, disse.

Roberto afirmou que o grupo não teme o debate e nem as fake news: “Defender a vida, a família e a floresta é o que sempre fizemos. A diferença é que fazemos com verdade, com propostas e com resultados.”

O coordenador anunciou as próximas mobilizações: Guajará-Mirim (17/10), durante o lançamento da Ponte Binacional Brasil-Bolívia, Cacoal (25/10), Rolim de Moura e Vilhena, com encerramento previsto ainda neste ano.

Um movimento em marcha

A Caminhada da Esperança reúne nove partidos políticos (MDB, PDT, PT, PSB, PV, PCdoB, Rede, PSOL e Cidadania), além de organizações da sociedade civil, lideranças comunitárias, movimentos sindicais e representantes populares. O movimento tem como base a defesa de um projeto de desenvolvimento sustentável, inclusão social, soberania e democracia participativa.

Os discursos em Ji-Paraná marcaram um ponto de inflexão: o reencontro de forças políticas e sociais que, apesar das diferenças, compartilham o mesmo horizonte. Rondônia, disseram os oradores, pode voltar a crescer com justiça, equilíbrio e esperança.

“A esperança não é um sentimento abstrato — é um projeto coletivo”, resumiu Roberto Sobrinho, sob aplausos que encerraram o ato.

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