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Rondônia descumpre nova lei do ensino médio e reduz carga horária de alunos, diz estudo

Um estudo da Rede Escola Pública e Universidade (REPU) aponta que Rondônia está entre os estados que não cumprem a carga horária mínima obrigatória no ensino médio. A análise considerou 70 matrizes curriculares de redes públicas dos 27 estados e revelou que, mesmo com a nova reforma, disciplinas básicas seguem sendo prejudicadas em pelo menos seis estados.

Segundo o levantamento, a nova legislação determina que os alunos tenham pelo menos 2.400 horas de aulas básicas ao longo do ensino médio, mas muitos estados não recompuseram essa carga, entre eles Rondônia.

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De acordo com o estudo, dois pontos chamaram atenção em Rondônia:

Aulas mais curtas do que o tempo mínimo determinado: algumas escolas têm adotado aulas de 45 minutos, em vez dos 48 minutos previstos oficialmente. Isso causa uma perda de 6,3% da carga horária anual, o que equivale a cerca de 1,5 aula a menos por semana durante os três anos do Ensino Médio.

Ensino a distância em excesso: o estado também tem autorizado a oferta generalizada de aulas a distância (EaD) até para disciplinas básicas no período diurno, o que vai contra a lei, que permite EaD apenas em casos excepcionais.

A pesquisa também mostrou que, enquanto disciplinas como Português e Matemática mantêm cargas horárias elevadas, matérias como Arte, Filosofia, Sociologia, Geografia e História foram as mais afetadas pela redução de aulas.

Essas práticas, segundo os pesquisadores, colocam em risco a qualidade do ensino e podem até comprometer a validade de certificados de conclusão emitidos pelas escolas estaduais.

“Novo Ensino Médio” aprofundou desigualdades
A REPU concluiu que tanto a reforma de 2017 quanto a de 2024 ampliaram as desigualdades entre os estados brasileiros. A promessa de flexibilizar o currículo e dar mais autonomia aos alunos resultou, na prática, em menos aulas de disciplinas essenciais, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

“A reforma de 2024 tentou corrigir parte do que foi perdido com o Novo Ensino Médio de 2017, mas não conseguiu”, afirmou Fernando Cássio, professor da USP e um dos autores do estudo.

Outra crítica levantada no relatório é sobre a possibilidade de estudantes substituírem aulas por “atividades extraescolares”, como estágios e programas de aprendizagem. Para os pesquisadores, isso pode incentivar o trabalho precoce e afastar adolescentes da escola, especialmente os mais vulneráveis.

O que a pesquisa recomenda?
Entre as principais recomendações do estudo, estão:

Garantir aulas com a duração correta;
Ampliar a jornada escolar para 5 horas por dia;
Limitar o uso de EaD conforme prevê a lei;
Evitar que estudantes validem horas de trabalho como se fossem aulas.
O g1 entrou em contato com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc-RO), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Por g1 RO

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