O projeto da Usina Hidrelétrica de Tabajara, planejado para o rio Machado, no município de Machadinho d’Oeste, continua sem definição após décadas de discussões técnicas, embates judiciais e críticas de organizações ambientais e comunidades tradicionais.
Prevista para ter capacidade estimada de cerca de 400 megawatts, a Usina Hidrelétrica de Tabajara é considerada por defensores do projeto uma obra estratégica para ampliar a oferta de energia na região Norte. O empreendimento seria instalado no Rio Machado, um dos principais cursos d’água do estado.
No entanto, o licenciamento ambiental conduzido pelo Ibama enfrenta questionamentos há anos. O processo já foi interrompido diversas vezes por decisões da Justiça Federal, que determinou a revisão de estudos ambientais considerados incompletos.
Um dos principais pontos de controvérsia envolve o impacto sobre povos indígenas e comunidades tradicionais. O Estudo de Componente Indígena foi criticado por especialistas e organizações por não incluir adequadamente povos como Arara, Gavião e Jiahui, além de possíveis grupos indígenas em isolamento voluntário na região. Relatórios indicam que até dez territórios indígenas poderiam ser afetados direta ou indiretamente pela obra.
Outro foco de preocupação são as comunidades ribeirinhas e pescadores, que dependem do rio para subsistência. Lideranças locais afirmam que parte dessas populações não foi devidamente incluída nas etapas iniciais do licenciamento.
No campo ambiental, pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia alertam para o risco de alagamento de cerca de 100 quilômetros quadrados de área, além de possíveis mudanças no fluxo do rio e perda de biodiversidade.
A disputa também envolve organizações ambientais, como o WWF Brasil, que questionam a viabilidade do projeto e defendem que novas avaliações sejam realizadas antes de qualquer avanço no licenciamento.
Criado ainda na década de 1980, o projeto da hidrelétrica de Tabajara permanece em um cenário de incerteza jurídica, técnica e social. Enquanto setores ligados à infraestrutura energética defendem a retomada do empreendimento, ambientalistas e pesquisadores pedem o arquivamento definitivo do licenciamento. Até o momento, não há prazo definido para uma decisão final sobre o futuro da usina.
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Foto: EMG/Drone Vision




