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LULA DA SILVA: Da liderança sindical à quarta passagem pela Presidência do Brasil

Luiz Inácio da Silva nasceu em 1945 no distrito de Caetés, município de Garanhuns, no semiárido de Pernambuco. Neste domingo (25), reelegeu-se 40º presidente do Brasil. Filho de Eurídice Ferreira de Melo, conhecida como Dona Lindu, e de Aristides Inácio da Silva, cresceu em um ambiente marcado pela escassez. Em 1952, aos sete anos, migrou com a mãe e sete irmãos em um caminhão pau de arara para o estado de São Paulo, em busca de oportunidades de sobrevivência no Sul do país. 
Após passar pela infância trabalhando em pequenos empregos, como o de office boy, ingressou no curso de aperfeiçoamento do Senai para se formar como torneiro mecânico. Para o jovem migrante, a conquista do diploma profissional significava o acesso a uma carreira técnica no mercado fabril em expansão.
Sua trajetória nas fábricas foi marcada por acidentes e desafios: em junho de 1964, durante o expediente noturno na Metalúrgica Independência, sofreu um acidente em uma prensa que resultou na perda do dedo mindinho da mão esquerda. Em 1966, foi contratado pelas Indústrias Villares, em São Caetano do Sul, onde permaneceria vinculado por dezoito anos.
Ascensão no Sindicato dos Metalúrgicos
A vida pessoal de Lula sofreu um duro golpe no início da vida adulta. Em 1971, sua primeira esposa, Maria de Lourdes, faleceu prematuramente junto com o bebê no momento do parto. Anos mais tarde, refez sua vida pessoal ao casar-se com Marisa Letícia, parceira de vida e de militância até seu falecimento.
A entrada no movimento sindical ocorreu por influência de seu irmão mais velho, José Ferreira da Silva (Frei Chico), militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1969, Lula integrou a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas de São Bernardo do Campo e Diadema.
Em 1975, foi eleito presidente do sindicato, passando a representar uma base de dezenas de milhares de operários. No final da década de 1970, liderou as históricas paralisações operárias do ABC, mobilizando multidões no Estádio de Vila Euclides. O movimento afrontou a estrutura da ditadura militar e colocou o nome do líder sindical no centro do debate político nacional.
Em abril de 1980, durante a eclosão de uma greve geral de 41 dias, Lula foi preso pelas forças de segurança da ditadura sob a enquadração da Lei de Segurança Nacional e mantido na carceragem do DOPS. Durante o período em que permaneceu encarcerado, recebeu autorização sob escolta policial para acompanhar o velório de sua mãe, Dona Lindu.
A fundação do PT e as batalhas eleitorais
Com a articulação entre lideranças operárias, intelectuais, ativistas e religiosos das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Lula liderou a criação do Partido dos Trabalhadores (PT), lançado oficialmente no Colégio Sion, em São Paulo, em fevereiro de 1980.
Em 1982, disputou seu primeiro cargo eletivo ao concorrer ao governo do estado de São Paulo. Após a derrota nas urnas e um período de desânimo, foi incentivado pelo líder cubano Fidel Castro a não abandonar a política representativa, sob o argumento de que um líder operário com mais de um milhão de votos tinha uma responsabilidade histórica com os trabalhadores.
Em 1986, tornou-se o deputado federal constituinte mais votado do país, somando mais de 650 mil votos. Disputou a Presidência da República pela primeira vez em 1989, chegando ao segundo turno contra Fernando Collor de Mello. Disputaria novamente o Planalto nas eleições de 1994 e 1998, sendo derrotado por Fernando Henrique Cardoso.
Durante esse intervalo, percorreu o país nas Caravanas da Cidadania, viajando mais de 30 mil quilômetros para diagnosticar a realidade socioeconômica do interior do Brasil.
Do primeiro governo ao apogeu político
Em 2002, ao lado do empresário mineiro José Alencar como vice e sob a condução publicitária de Duda Mendonça, Lula venceu a eleição presidencial no segundo turno contra José Serra. Assumiu a Presidência da República em 1º de janeiro de 2003.
Reeleito em 2006, cumpriu dois mandatos presidenciais marcados por programas de inclusão social, estabilidade econômica e ampliação da projeção internacional do Brasil. Ao encerrar seu segundo mandato em 2010 com altos índices de aprovação popular, viabilizou a eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff, a primeira mulher a presidir o país.
Lava Jato, 581 dias em Curitiba, inocência 
Em abril de 2018, após condenação emitida pelo ex-juiz Sergio Moro no âmbito da Operação Lava Jato, foi decretada a prisão do ex-presidente. Após discursar na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC cercado por apoiadores, entregou-se às autoridades e foi conduzido para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Lula permaneceu retido na capital paranaense por 581 dias. Do lado de fora da carceragem, militantes e apoiadores mantiveram a Vigília Lula Livre, prestando saudações diárias ao ex-presidente. Durante o período de reclusão, engatou o relacionamento com a socióloga Rosângela da Silva (Janja), com quem se casaria após obter a liberdade.
Em novembro de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) alterou seu entendimento sobre a prisão após segunda instância, permitindo a soltura de Lula. Em 2021, o STF declarou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e anulou as condenações proferidas contra o petista, restituindo integralmente seus direitos políticos.
Volta à Presidência em 2022
Lula voltou a disputar a Presidência em 2022, liderando uma coligação que reuniu partidos de diferentes correntes políticas. No segundo turno, derrotou Jair Bolsonaro (PL), tornando-se o primeiro presidente brasileiro eleito para três mandatos.
Tomou posse em 1º de janeiro de 2023. O terceiro governo retomou programas sociais, como o Bolsa Família, e estabeleceu entre suas prioridades o combate à fome, a redução das desigualdades, a preservação ambiental e a retomada de investimentos públicos.
2026, tetracampeão 
Com os direitos políticos restabelecidos e protagonizando uma das reviravoltas mais marcantes da história política do país, Lula voltou a figurar como o principal nome da esquerda brasileira. Na disputada eleição presidencial de 2026, aos 81 anos, apostou em seu histórico de governo e em sua biografia para defender a manutenção de seu projeto político diante de uma oposição acirrada.
O ex-sindicalista consolida uma trajetória singular, tornando-se o único governante do Executivo federal a conquistar quatro mandatos presidenciais pela via do voto direto – o único a vencer no segundo turno após perder o primeiro.
Paulo Pinto/Agência Brasil

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