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Polícia investiga mortes após colonoscopia em clínica de RO; especialista explica riscos do exame

Dois pacientes morreram após procedimentos em clínica de Cerejeiras; investigação apura se houve relação entre os exames e as complicações

A Polícia Civil de Rondônia abriu um inquérito para investigar a morte de dois pacientes que realizaram exames gastrointestinais em uma clínica particular no município de Cerejeiras, no Cone Sul do estado. A investigação busca esclarecer se houve relação entre os procedimentos realizados e as complicações que levaram aos óbitos.

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De acordo com a polícia, até o momento nem a clínica nem o médico responsável são investigados diretamente. A definição dependerá das provas reunidas ao longo da apuração.

O caso também foi comunicado ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Rondônia, que informou que eventuais processos de investigação médica são sigilosos.

Paciente de 34 anos morreu após cirurgia

O primeiro caso envolve Thyago da Silva Severino, de 34 anos, que morreu em fevereiro de 2026 após realizar uma colonoscopia. Segundo familiares, ele fazia acompanhamento médico por síndrome nefrótica.

Durante o exame, teria ocorrido uma perfuração intestinal, o que levou à interrupção do procedimento. Após a colonoscopia, o paciente foi levado ao Hospital São Lucas, em Cerejeiras, e depois transferido para o hospital regional em Vilhena.

Ele passou por cirurgia e ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas morreu no dia seguinte.

Paciente de 69 anos morreu após complicações

O segundo caso aconteceu em setembro de 2025 e envolve Alzery Geraldo de Souza, de 69 anos. Segundo familiares, ele realizou colonoscopia e endoscopia na mesma clínica.

Logo após os exames, o paciente teria apresentado forte dor abdominal ainda na unidade de saúde. Ele recebeu medicação analgésica e foi liberado.

Com a piora do quadro, procurou atendimento médico e foi encaminhado para Vilhena, onde uma tomografia apontou perfuração intestinal. Ele passou por cirurgia de emergência, entrou em coma e ficou cerca de dez dias internado na UTI. O paciente morreu em 30 de setembro de 2025.

Colonoscopia é considerada exame seguro

Segundo o gastroenterologista e professor do IDOMED, Luiz Ricardo, a colonoscopia é um procedimento considerado seguro e amplamente utilizado para diagnóstico e prevenção de doenças intestinais.
“O exame tem uma taxa de complicação muito baixa, inferior a 0,07% quando é apenas diagnóstico. Isso significa que uma complicação mais relevante ocorre em média em um a cada quatro mil exames”, explica.

Perfuração intestinal é complicação rara

Entre as complicações possíveis está a perfuração intestinal, considerada rara. Segundo o especialista, o risco pode aumentar quando o exame envolve intervenções, como retirada de pólipos.

“Mesmo nesses casos, a taxa de complicação ainda é baixa, inferior a um caso a cada 200 exames”, afirma.

O médico também explica que alguns fatores podem aumentar o risco de complicações, como idade avançada, cirurgias abdominais prévias, doenças cardíacas, tabagismo ou presença de divertículos no intestino.

Sintomas após o exame devem ser observados

Após a colonoscopia, o sintoma mais comum é dor abdominal leve, geralmente causada pelo acúmulo de gases utilizados durante o exame para distender o intestino.

No entanto, o especialista alerta que dores intensas ou persistentes devem ser avaliadas rapidamente.

“O principal sinal de alerta é uma dor abdominal forte ou diferente do habitual, que não melhora com analgésicos comuns ou que surge horas depois do exame”, afirma.

Enquanto o inquérito segue em andamento, a polícia busca esclarecer se as mortes ocorreram por complicações raras associadas ao procedimento ou se houve outros fatores clínicos envolvidos

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