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CRIME LEGAL: Lucro com cartel de combustível rende mais do que o tráfico de drogas

Os aumentos abusivos nos preços de combustíveis foram indícios para um levantamento nacional que aponta para a cartelização dos combustíveis como nova modalidade do crime organizado. Grupos criminosos estão dominando o comércio de negócios lícitos para formar redes de lavagem de dinheiro e para aumentar os lucros.O setor de combustíveis se tornou uma mina de dinheiro para os criminosos que vem formando carteis por todo o país.

Na semana passada, o Rondoniaovivo divulgou que o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski anunciou o início de uma ampla investigação nacional, começando com 1.100 postos de combustíveis suspeitos de pertencerem a grupos criminosos. Nesta quinta-feira (13), foi divulgado o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que é o primeiro do gênero no Brasil a tentar documentar o escopo da atividade na economia formal e seus efeitos nos cofres públicos do país.

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Quando se fala em carteis de postos de combustíveis o prejuízo não é apenas para a indústrias do segmento de etanol. O consumidor final é amplamente afetado com preços abusivos. A atuação em negócios lícitos, além de afetar diretamente os condutores de veículos e promover alto custo nos transportes, essa movimentação criminosa vem causando bilhões em perdas fiscais e dificulta o enfrentamento à criminalidade. O levantamento mostra que o crime organizado no Brasil está lucrando mais com combustível e outros produtos do que com o tráfico de cocaína.

NEGÓCIO BILIONÁRIOS

Não é só nos combustíveis que as facções estão ganhando dinheiro fácil. Organizações criminosas faturaram cerca de R$ 146,8 bilhões com combustíveis, ouro, cigarros e bebidas em 2022, em comparação com cerca de R$ 15 bilhões com cocaína, de acordo com o novo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A transferência de modalidades criminosas já vem sendo observada pelas autoridades há muito tempo. O crime organizado vem avançando para além do tráfico de drogas e alcançando novos mercados que incluem desde mineração de ouro na Amazônia até fintechs em São Paulo. Esse tipo de variação de negócios busca diversificar receitas e expandir sua influência.

CRIMINALIDADE NA TECNOLOGIA

Os grupos também geram grandes somas de dinheiro com crimes cibernéticos e roubos de celulares, resultando em cerca de R$ 186 bilhões, estimou o relatório. “O tráfico de cocaína, maconha e outras substâncias ilícitas, armas continua relevante”, disse um dos pesquisadores, Nívio Nascimento, em entrevista.

Mas a expansão para mercados formais “demonstra uma evolução das organizações criminosas, com uma capacidade de logística e de operação cada vez maior, se apropriando de outras economias, de outros mercados e diversificando os seus negócios”.

BEBIDAS E CIGARROS

Os grupos se expandiram para setores como ouro, bebidas, cigarros e combustível, em grande parte devido à imensa demanda social por tais produtos. Mas eles também foram atraídos por penas mais leves relacionadas a contrabando, fraude, sonegação fiscal e outros crimes do que para tráfico de drogas, disse Nascimento.

Segundo os pesquisadores, isso tem custado caro para o governo brasileiro, pois grupos criminosos exploram brechas institucionais e regulatórias para lavar dinheiro e esconder o que ganham ilegalmente.

COMBUSTÍVEIS E PRODUTOS FALSIFICADOS

A venda ilícita de até 13 bilhões de litros de combustível a cada ano custa ao Brasil cerca de R$ 23 bilhões em receita anual, de acordo com o relatório. Cerca de 40% do mercado de cigarros do país é composto por produtos ilegais. E o contrabando e a falsificação de bebidas geraram perdas fiscais de R$ 72 bilhões em 2022, concluiu o relatório.

A “crescente sofisticação” dos grupos também permitiu que eles exercessem ainda mais poder em partes do Brasil em que o governo tem lutado para controlar, alimentando a violência e o crime ambiental, ao mesmo tempo em que torna ainda mais difícil erradicar atividades ilegais, disse o relatório.

POR: Rondoniaovivo

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